Guião

Lição 1

 

Talvez por estarmos habituados a ver a BD como uma arte para desenhadores, transcuramos o guião. O que é certo é que, com um mau guião, nunca se poderá fazer uma boa história, mesmo que o desenho seja de mestres.

Escrever um bom guião não é tão fácil como possa parecer à primeira vista nem tão difícil que não possamos aprender a escreve-lo. Se lermos as aventuras de Asterix escritas por Goscinny, ou as do Tenente Blueberry, por J. M. Charlier, entre outras, dar-nos-emos conta disso. Em primeiro não é só saber escrever, há algo bem mais importante como as sequências, acções, documentação, efeitos especiais, encadeados, ritmos, etc.

Imagine um arranha-céus construído sobre uns alicerces pouco profundos; pouco tempo após a sua construção este ruiria levando a tribunal o arquitecto e o construtor.

Na BD passa-se o mesmo ou quase: o arquitecto será neste caso o guionista; o construtor é o desenhador e os alicerces da obra são o guião, que, sendo “pouco profundo” mal construído, levaria à não publicação da história e, pior, desacreditaria as assinaturas dos seus autores para o futuro perante um publico que exige ser bem servido.

Pois bem, vamos iniciar com algumas descrições sobre composição do guião, e só na segunda parte darei um exemplo prático de como escrever uma história, da sua nascença até ao produto final.

O barco vai partir; segure-se bem!

 

Guião Literário

É a criação da história escrita sem os mínimos detalhes. Para esta criação teremos de nos guiar pelo nosso estilo favorito, quer seja o Bélico, o Oeste, o Policial, etc. Essa história será o produto final em bruto e que dividimos, depois de escrita, nas três partes principais, que são:

-INTRODUÇÃO,

-DESENVOLVIMENTO,

-CONCLUSÃO.

Ou seja: o princípio com a introdução do drama e das personagens; o desenvolvimento que é toda a fase central da história e que pode ir desde as primeiras vinhetas à última página e a conclusão, que é onde termina a história, ou seja, onde se resolvem os problemas ou dramas iniciados com a introdução.

 

Divisão em Sequências

Depois do guião literário pronto vamos dividi-lo em sequências.

Que são as sequências? Poderemos defini-las como um grupo de vinhetas que sucedem todas no mesmo período de tempo ou lugar e a sua extensão pode oscilar entre uma só vinheta e uma página inteira ou mais. O tamanho das sequências, mais ou menos longas, tem a ver com a importância destas dentro da história, isto é, quanto mais vinhetas utilizamos para narrar uma sequência, mais importante, para o entendimento da história, essa sequência se torna, e vice-versa.

Depois da divisão do guião literário em sequências, e estas num número limitado de vinhetas, poderemos prever, então, a quantidade de páginas com que contará a nossa história. Neste ponto pode dar-se o caso que o número de páginas seja superior ou inferior às páginas da revista onde a história irá ser publicada, então que há a fazer? Simples, basta cortar algumas sequências de menor importância, assim como algumas vinhetas das sequências mais longas ou ainda, juntar duas sequências numa só vinheta.

Efectuando estes cortes - a que chamamos ELIPSE - notamos que ficam ressaltos na narração... é obvio pois deixou de existir continuidade, mas isso facilmente se resolve com textos de enlace que servem para tapar lacunas, fazendo com que a história tenha a continuidade desejada.

Se o caso for o de faltar páginas então teremos de aumentar vinhetas a certas sequências ou até mesmo criar sequências novas.

 

Personagens e Documentação

Conhecendo a história, o drama, e a ambientação, passaremos à criação das personagens principais, tal como se disse na primeira parte das técnicas de BD e, com isto, à documentação de acordo com a época e o lugar de acção do argumento.

Não esqueça, a documentação é muitíssimo importante, nada deve ser deixado ao acaso, uma falha nossa pode passar despercebida para algumas pessoas, mas não para todas e estas podem sentir-se defraudadas, banalizando o autor da história.

 

O Story Board

Antes da escritura do guião definitivo, o guionista repassa mais uma vez o guião literário, mas desta vez “Desenhando-o” em folhas divididas em quadrados. Não é necessário que o desenho se entenda como tal, basta um simples esboço. A esta fase chama-se Story Board e serve para seleccionar as cenas sem esquecer a continuidade; seguindo este processo poderemos apreciar melhor o que será o trabalho final do guião, assim como melhorar algumas cenas, que sem ele, poderiam passar despercebidas.

 

A Vinheta

A sequência é formada por um conjunto de acções, sendo estas divididas pelas vinhetas que compõem cada sequência. Se a sequência for composta por uma só vinheta, então, o papel desta terá de ser completo, já que é esta a finalidade da sequência. Portanto, depois da divisão do guião em sequências e baseados no Story Board, deveremos atribuir a cada sequência um número justo de vinhetas; mais vinhetas para as sequências mais importantes e menos às sequências de menor interesse, para que o leitor passe por elas rapidamente e não as entender por pontos chave para o entendimento da história.

 

Último Conselho

Não é propriamente o último conselho mas o princípio de uma arte séria. Nunca se deverá esquecer o provérbio chinês que diz: “uma imagem vale mais de mil palavras” por isso deveremos mentalizar-nos que a imagem deverá ter mais possibilidades expressivas que o texto e nunca repetir por palavras o que o leitor possa ver nas figuras, o texto somente serve de apoio.

 

O Guião Técnico

Finalmente! O guião técnico, este é o produto final já revisto e estudado. Ele deve indicar o número de vinhetas e páginas, o texto descritivo, o narrativo e os diálogos, assim como os planos.

O texto descritivo serve para indicar ao desenhador tudo o que deve figurar dentro da vinheta e que foi pensado pelo guionista, até mesmo os mais pequenos detalhes. Poderá então o desenhador, através dele, construir perfeitamente a acção imaginada em precedência. Os textos narrativos e os diálogos são os que acompanham o desenho para seu entendimento, é o que o leitor vai ler.

Há que indicar ao desenhador também a emoção ou sentimento a dar a cada cena para que o desenho siga a par e passo com o guião e que, entre um e outro, não existam barreiras. A ilusão deverá ser perfeita e tanto o guião como as imagens devem fazer parte de uma única obra fortemente sólida.

Os textos devem ser fluidos e sem palavras estranhas ou frases demasiado trabalhadas.

 

 

— UFF! Que confusão!!

Parece você dizer, mas não o é, com um pouco de prática e esperando o próximo capitulo onde iremos escrever uma história você verá que todas estas divisões têm a sua razão de existir e, pondo-as no seu lugar, tudo se tornará mais fácil.

 

Desenho

Guião

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