Guião

Lição 6

 

Temas de Interesse Para o Guionista

Para poder escrever um bom guião o guionista tem de estar preparado. Esta preparação consegue-se ao longo de anos de intenso trabalho de estudo e pesquisa. No fundo é um trabalho que pode divertir mas, seja como for, é um trabalho que deve ser feito sempre com a finalidade da busca e do estudo.

Quando lemos um livro, vemos um filme ou viajamos podemos divertir-nos mas esse divertimento deve ser sempre acompanhado de um maior interesse em reter imagens, frases, situações, datas históricas e tudo aquilo que, mais tarde, possa vir a enriquecer os nossos guiões, tornando-os assim mais reais e interessantes, isto dá-nos uma boa dose de cultura geral, a matéria indispensável para qualquer guionista.

Ao ver um filme não devemos somente viver a sua história para a poder entender, devemos, sim, ver como essa história foi escrita, as situações, as três partes fundamentais do guião que lhe falei anteriormente, os planos, as frases etc.

Um erro comum do guionista inexperiente é iniciar o guião já dentro do drama da história.

Nos filmes, por exemplo, pode aprender que o drama, a parte escaldante, o “desenvolvimento” do argumento se inicia um pouco antes do meio da história sendo o princípio dedicado inteiramente a apresentar personagens e situações aparentemente sem interesse mas que terão o seu papel fundamental do meio do filme em diante, não apenas inicie o drama no qual o guião criou as suas bases. Veja nas aventuras de 007 ou Indiana Jones aquilo que acabo de dizer: um início calmo que aumenta de intensidade à medida que o guião vai desenrolando.

 

Atenção, Muita Atenção

Nada deve ser copiado de um filme ou romance, velam por eles os direitos de autor, o famoso © Copyrigth.

Se sentir a necessidade de adaptar à BD uma obra literária existente deverá pedir autorização ao detentor dos direitos ou mudar parte do argumento, as possíveis datas existentes na história, desde que não sejam históricas, e os nomes das personagens para que o seu autor, ou o seu actual proprietário, não lhe venha a cobrar somas exorbitantes por violação de uma criação original.

E com isto digo tudo!

 

Exactamente! Com isto digo tudo. Estamos no fim deste tratado e penso que nada mais há a dizer, só espero que tenha aprendido o bastante para encarar a Banda Desenhada ou como se chama por esse mundo fora: the Comic, i Fumetti, a Manga, los Tebeos, las Historietas, os quadrinhos ou les Bandes Dessinés... Enfim, a 9ª arte, uma arte jovem, embora velha quanto o homem, que ainda está em desenvolvimento.

Agradeço ter chegado comigo a esta meta, agora só nos resta lutar, lutar, lutar para que a BD no nosso país alcance os níveis e as metas que conseguiu na América ou nos países europeus.

Chegou a hora de deixar o passado para trás e olhar o futuro, que não está muito nítido; comemorar o passado não melhora o amanhã e é hora de que todos, até mesmo os governantes deste país, se mentalizem de que no futuro está o nosso futuro.

Porquê esquecer o passado? Porque as histórias nacionalistas sobre nós e nossos feitos e antepassados nunca conseguirão passar as fronteiras enquanto as obras estrangeiras, às vezes de pouca qualidade, nos chegam todos os dias fazendo com que os nossos bons artistas vivam à sombra de um pouco de inveja por não conseguir o que os seus colegas, lá fora, nos países das maravilhas, alcançaram. O talento do homem é universal, não se resume a uma fronteira política.

Uma pintora portuguesa disse um dia: “Um artista vem ao mundo para deixar uma mensagem do seu tempo às gerações futuras”.

Vamos pois lutar por isso. Os países fazem-se com homens, e estes, com os livros numa simbiose perfeita. Seguiremos, pois, o exemplo dos desenhadores italianos, franceses, americanos, fazendo histórias de ficção relativas à humanidade e que possam interessar outras culturas, só assim poderemos glorificar o nosso bom nome além fronteiras.

Preparamo-nos, pois, para as conquistas do amanhã, as conquistas do futuro feitas com a BD.

...E já nos encontraremos um dia, prometo.

Amigo, amiga, colega, até lá passe muito bem e... Bom trabalho.

Francisco Chinita  1991/2002

ANIMEN  (Animal Homem) - 1999

Vemos nesta ilustração a história da evolução do homem, terminando com uma antevisão do que poderá vir a acontecer se este continuar a utilizar a inteligência em favor da destruição.

 

Desenho

Guião

Lição 1 Lição 1
Lição 2 Lição 2
Lição 3 Lição 3
Lição 4 Lição 4
Lição 5 Lição 5
Lição 6 Lição 6

Index