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ESTILO AGARRADO À ROCHA
Vamos ver como criar um estilo que causa muita admiração em todo o mundo, aquele em que uma árvore cresce agarrada ou sobre uma rocha, dando a ilusão de uma árvore secular em alta montanha ou sobre as conhecidas ruínas de Angkor. Aqui se combinam dois elementos que, juntos, dão um efeito maravilhoso. Primeiro temos de distinguir entre “Sobre a rocha” e “Agarrada à rocha”.
Sobre a rocha são geralmente jovens árvores que se plantam em cavidades na rocha e onde as raízes são cobertas com musgos. Temos de fazer muita atenção pois a quantidade de terra tende a ser mínima e corre o risco de secarem as raízes.
Outro estilo quanto a mim mais bonito é o agarrado à rocha. Tentarei explicar como criar este estilo, não é complicado mas requer alguns anos de preparação da árvore. Primeiro a rocha deve dar alguma garantia de dureza. Para estes projetos é geralmente utilizada rocha vulcânica Ibigawa, hoje vendem-se em centros de bonsai.
Abaixo vemos como será possível criar este estilo.
☯ Em A plantamos a jovem árvore num tubo plástico com pouca margem para as raízes crescerem na horizontal, obrigando-as a crescer para baixo e a direito. Passados alguns anos as raízes são suficientemente compridas para o próximo passo.
☯ Em B, coloca-se a árvore sobre a rocha escolhida e faz-se com que as raízes “abraçarem” a rocha, chegando as suas extremidades ao contacto com a terra para que se alimente. Nesta fase as raízes devem ser apertadas contra a rocha com cinta de plástico ou borracha.
Passados mais uns anos, devido ao aperto, as raízes “fundem-se”, com a pedra, agarram-se e formam um conjunto indissociável.
☯ Em C o projeto terminado.



ATRIBUINDO UM ASPETO SECULAR
Existem técnicas para envelhecer aparentemente uma árvore jovem. Entre essas técnicas vai um destaque para as escarificações, denominadas em japonês por SHARI (descasque do tronco) e JIN (descasque dos ramos). Esta técnica só é aplicada a árvores de folha perene.
Pinheiros e Zimbros são os mais indicados a esta intervenção.
A madeira escarificada acabará por morrer, mas deve ser sempre deixada alguma casca que se prolonga até às raízes para que se continua a alimentar a folhagem. Essa madeira morta acabará por se tornar escura e pouco estética ao que o bonsaísta deverá recorrer a alguns truques para lhe devolver a brancura original. Para tratar essa madeira morta aplica-se-lhe calda sulfocáustica, uma solução feita de cal e enxofre (veja receita em Solitários) ou, melhor ainda, existe no mercado um 'Líquido para Jin', próprio para o efeito, é questão de procurar em lojas online de Espanha porque, segundo me consta, em Portugal está proíbida a venda... são leis!

      
           Alguns SHARI (madeira morta) aplicado ao tronco.

Outros processos de envelhecimento menos drástico têm a ver com a forma.
É sabido que as árvores jovens crescem na vertical e os seus ramos apontam para cima enquanto que nas árvores velhas as pernadas apontam para baixo devido ao peso dos ramos e folhas ao longo dos anos. Para dar a uma árvore jovem a aparência de árvore madura o bonsaísta, como já se disse anteriormente, recorre aos arames para dobrar a madeira e curvar esses ramos, dando-lhe assim a aparência de árvore antiga. Podemos ainda tornar o tronco mais nodoso enquanto a planta é jovem, aplicando-lhe torções junto à base para que, no seu interior, se soltem fragmentos de madeira. A árvore ao crescer mostrará um tronco mais antigo, mais "vivido". Outra técnica que utilizo em Bonsai de casca lisa é o de, com uma lâmina, aplicar pequenos cortes na vertical. Esses cortes não se veem mas tornam-se cicatrizes quando o tronco engrosse.
Mas, nada do que aqui foi dito se torna válido se o Bonsai não tiver raízes expostas junto à base do tronco nas quatro direções, esse é o verdadeiro segredo para conferir maturidade. Deveremos então incentivar essas raízes a crescer deixando-as à vista e encaminhando-as radialmente no momento do transplante, não permitindo que o musgo cresça sobre elas.
Todos estes processos demoram anos a terminar, a natureza necessita do seu tempo, dos períodos de crescimento na Primavera e os de repouso para enrijar a madeira com o frio do Inverno. Isso temos de respeitar!