As personagens são todos aqueles que desempenham os diferentes papeis numa história.
São o protagonista, a heroína, o malvado e, até, as personagens secundárias; enfim, são todas as figuras que entram — direta ou indiretamente — numa história.
O que teremos de ter em conta é que cada personagem tem um carater próprio e a deveremos tratar como se fosse real; isto é, temos de ter em conta também uma biografia e um modo de vida, e, porque não, também um signo do zodíaco.
Ela tem, contudo, de obedecer a uma realidade.
É o herói — jovem, bem parecido, atlético e com rasgos que se identifiquem facilmente.
Deve, contudo, ser nobre e inteligente.
Esta é a figura que mais vezes desenharemos ao longo da história; por isso, deveremos familiarizar-nos com ela, utilizando, para o efeito, fotografias de atores de cinema, de familiares, amigos ou até, porque não, o nosso próprio rosto.
Na maior parte dos casos a heroína não passa da companheira do herói, fazendo um papel secundário. Noutros casos ela é mesmo a personagem principal mas,
seja qual for o seu papel dentro da história, há qualidades que ela deve possuir e que são: ser atraente, bonita, tímida, feminina e inteligente.
Muitas vezes ele pode ser o herói da história; outras vezes é tão conhecido ou mais que o protagonista principal, fazendo a este último a vida difícil, mas sempre sem levar a melhor.
Seja como for, a sua cara deverá refletir a maldade do seu coração.
Esta personagem deverá ser alta, magra, de nariz fino e/ou disforme ou baixo e gordo.
Uma cicatriz ajuda a adivinhar o seu passado fora-da-lei.
Quem não recorda Jimmy McClure, o simpático velho companheiro de Blueberry? Graças a estas personagens, muitas histórias tiveram êxito e, sem eles,
o protagonista, em alguns casos, passaria despercebido. Convém que esta personagem tenha uma boa dose de ironia.
O Companheiro do Herói é, para todos os efeitos, uma personagem completa que muitas vezes “safa” o protagonista principal de grandes enrascadas.

© Jean Giraud
Independentemente da narrativa, a pesquisa e a documentação desempenham o papel principal. Um traço excelente, se condicionado por uma documentação errada ou negligente, pode arruinar a credibilidade do autor. É imperativo estarmos munidos do máximo de informação possível, descendo aos detalhes mais ínfimos — sejam os botões da farda de um almirante da Royal Navy em 1780 ou a fivela dos sapatos de uma personagem qualquer. Tudo exige verosimilhança: a arquitetura e a decoração das casas, os penteados de época, o vestuário, os meios de transporte e o armamento.
Mesmo na ficção científica, onde a imaginação e a fantasia imperam, é vital recorrer a referências reais, como as imagens da NASA. O leitor precisa de encontrar pontos de contacto com o que conhece para que a fantasia se torne credível.
Hoje, o acesso à informação é infinito graças à Internet e aos recursos audiovisuais digitais. Podemos analisar produções cinematográficas ambientadas na época em que estamos a trabalhar, congelar a imagem e estudar os pormenores de uma caravela do século XVIII. Construir um arquivo próprio — com fotografias, recortes, miniaturas de veículos e réplicas de armas — é um passo indispensável.
O cenário de fundo também exige rigor; afinal, a atmosfera e a geografia asiáticas são profundamente diferentes das europeias ou americanas. Inclusive para conceber monstros de outras galáxias, a macro-fotografia de insetos serve de excelente base criativa, bastando modificar alguns detalhes. Pode parecer um processo complexo, mas é uma questão de método. O profissional especializa-se ao imergir completamente numa determinada época. Afinal, no mundo da ilustração e da narrativa, um erro de documentação é imperdoável.
A Vinheta é a representação gráfica de um espaço de tempo; quadrada ou retangular é um quadro que contem dentro as imagens da história. As vinhetas são maiores ou menores não por acaso, mas para defender o interesse da ação que esta narra. O tamanho da vinheta joga também muito com o andamento da história e com o grau de emoção a transmitir ao leitor, assim como com o tempo de leitura, coisas que aprenderemos lá mais para a frente.
O percurso visual é um recurso gráfico utilizado pelo desenhador para orientar o olhar do leitor através da imagem, permitindo-lhe percorrê-la de forma natural e intuitiva. Sem esse percurso, o leitor poderá não prestar a devida atenção à composição da vinheta. Cabe-nos, portanto, conduzi-lo: fazê-lo entrar na vinheta por um ponto previamente definido, guiá-lo ao longo da imagem, levá-lo a deter-se no centro de interesse e encaminhá-lo para a saída, conduzindo-o de seguida à vinheta seguinte.
Graças ao percurso visual, o leitor acompanha a narrativa sem esforço nem confusão, absorvendo a totalidade da composição e, sobretudo, aquilo que realmente importa em cada vinheta: o seu centro de interesse.
Embora tudo isto possa parecer complexo, o percurso visual é, em grande parte, intuitivo. Com a prática, aprendemos naturalmente a dominá-lo. Por isso, aconselho o estudo atento dos grandes mestres da BD, procurando identificar de que forma utilizaram este recurso nas suas páginas.
Nas figuras abaixo podem observar-se dois exemplos em que assinalei o percurso visual a verde.


© Le Lombard / Hermann