O Equilibrio

Na composição da vinheta, se faltar o equilíbrio de massas é como que se ficasse inclinada ou coxa; mas, para isso, também há um remédio: aquele que utilizam todos os artistas — pintores, desenhadores, gráficos, etc. — que consiste em aproximar do centro da vinheta as figuras ou massas maiores, de maior volume, e afastando para as margens as menores. Para um melhor entendimento preste atenção às figuras abaixo, que nos dão um bom exemplo de equilíbrio.

Perspectiva

—Oh, my God!
—No, gracias!!
—Was, Perspektive?
— Sim, sim, PERS.PE.TI.VA!
Eu sei, tal como a matemática, esta é uma matéria pouco simpática mas, sem dúvida, indispensável no desenho em geral, e na BD em particular, sem a qual é muito fácil cair em erros que saltam à vista e que não têm perdão. Aconselho-o a estudar perspetiva, não tudo mas o bastante para poder realizar suas vinhetas com alguma segurança.

A Linha do Horizonte e o Ponto de Fuga

Estejamos onde estivermos, a linha do horizonte encontra-se sempre à altura dos nossos olhos e um bom exemplo disso é uma praia. Quer nós estejamos num ponto alto ou num ponto baixo, a linha do horizonte, aquela que separa o céu do oceano, está sempre à altura dos nossos olhos. Este exemplo da praia é, certamente, um dos únicos, já que excluindo esse, temos sempre diante de nós barreiras — edifícios ou montanhas — que nos dificultam a visão do horizonte, mas a sua linha, mesmo invisível, ela está aí onde você está; em casa ou na rua, de pé ou sentado, ela está sempre à altura dos seus olhos e, com ela, todos os seus pontos de fuga. É desses pontos de fuga que partem todas as linhas de fuga que prolongam as rectas paralelas horizontais dos modelos vistos em perspetiva. Os pontos de fuga podem ser um, dois ou mais para cada modelo. Algumas vezes, dada a complexidade dos modelos torna-se necessário aplicar os P.F. (pontos de fuga) acima ou abaixo da linha do horizonte (L.H.).




© Moebius

Figuras nos Diferentes Planos

Desenhar várias figuras em primeiro, segundo e terceiro planos mantendo entre elas as justas proporções de acordo com a distância nem sempre é tarefa fácil para quem desconhece alguns princípios indispensáveis. Preste portanto atenção às figuras seguintes: elas darão uma boa lição de perspetiva da figura humana.


Fig. 17: Comece por desenhar a olho a primeira figura (A), desenhando em seguida a linha do horizonte (L.H.) e o ponto (B) que indica onde há-de ficar colocada a segunda figura.
Fig. 18: Para achar a altura da figura situada em (B) começamos por traçar uma linha que parte de (A) passando por (B) e que se prolonga até à linha do horizonte, achando aí o ponto de fuga (P.F.1). Traçamos agora outra linha que una a cabeça de (A) com o P.F.1 e prolongamos o ponto (B) até essa nova linha, achando a vertical (D) que indica a altura da segunda figura.
Fig. 19: Suponhamos que ao mesmo nível da figura (B) queremos desenhar outra figura. Basta-nos, então, prolongar as horizontais (I) e (J) dando-nos a altura da figura (H).
Fig. 20: Para desenhar uma figura mais próxima basta-nos situar a olho o ponto (E), traçando então a linha obliqua (K) desde aí até qualquer ponto situado na L.H.— neste caso P.F.2.
Fig. 21: A partir do esquema anterior achamos o ponto (L), prolonga-mo-lo até se encontrar com a linha da cabeça da figura (A), achando o ponto (N) e a vertical (M).
Fig. 22: Partindo de P.F.2, passando por (N) e seguindo a perpendicular ao ponto (E) achamos o ponto (O). O (P) dá-nos a altura da figura.

(Entre Parêntesis)

Vencida a primeira etapa do estudo da BD - Bandes Dessinés – como lhe chamam os franceses, vamos passar em força à próxima fase. Aconselho que, ao mesmo tempo que lê, veja exemplos dos grandes mestres do Comic em revistas, álbuns e até mesmo nas tiras diárias dos jornais e, além disso, que faça você as suas próprias vinhetas, seguindo as instruções que aqui vou dando e recorde que, estamos necessitados de mais BONS desenhadores. Quando digo desenhadores não me refiro à qualidade do desenho mas sim à apresentação da história, imagem a imagem pois a justa apresentação de espaço de tempo entre as vinhetas, seguindo o ritmo mecânico, psicológico, temático e por sua vez o emocional vale mais do que o mais esmerado dos desenhos.