A palavra balão deriva dos países anglo-saxónicos, “balloon” e são o espaço que contém dentro os diálogos ou os pensamentos das personagens. Veja na figura seguinte alguns
tipos de balões, além dos muitos mais que podem ser inventados e que você pode ver nas diferentes BD´s no mercado.

Diálogos e Pensamentos
Tanto os diálogos como os pensamentos são representados em balões idênticos, a única diferença é a que do balão de diálogo sai um rabo ou seta que se dirige
à personagem a que lhe pertence enquanto que no pensamento essa seta é formada por pequenos círculos ou borbulhas. Veja as ilustrações acima 1, 2, 3 e 4.
Balão de Sussurro
O sussurrar ou a fala em voz baixa é representada em balões idênticos aos anteriores, só que os seus limites não são desenhados com uma linha contínua mas sim por uma tracejada. Ilustração 7.
Este balão serve para representar segredos, confidências, sussurros ou a voz fraca de alguém prestes a morrer.
Balão de Angústia
Este balão representa a voz trémula de alguém em fim de vida ou que sente muito frio, ou, ainda, aterrorizada de uma personagem. Ilustração 5.
Balão Eléctrico
Com este balão em forma de dentes de serra pode representar a voz saída de um altifalante ou robot assim como uma voz ao telefone.
Um grito, por ser uma voz contundente, também pode ser representado com este balão. Ilustração 6.
Duplo Balão
O Efeito do duplo balão é o que se pode ver na ilustração 8. Como vê, são dois balões unidos por uma junção e servem para indicar que entre um balão e outro a personagem
fez uma pausa no diálogo ou mudou de assunto.
Já sabemos representar os balões para as diferentes ocasiões que se nos apresentam ao longo de uma história, mas, como é que os deveremos colocar dentro da vinheta? Qual a ordem de leitura?
Existe uma norma para seguir essa ordem porque sem ela o leitor não seguiria o caminho traçado pelo guionista e poderia dar-se o caso de ler as respostas antes das perguntas, o que baralharia bastante a compreensão do relato.
Vamos então ver na figura abaixo algumas imagens desenhadas pelo meu amigo José Ruy para a história “Os Lusíadas” e que me deu a liberdade de alterar os balões para uma melhor compreensão dessa ordem da leitura.

© José Ruy
(A). Os Balões seguem por ordem da esquerda para a direita sendo a personagem colocada à esquerda a primeira a falar.
(B). Nesta figura é a personagem da direita que primeiro fala. Se existir falta de espaço para colocar os balões na vertical o que há a fazer é cruzar as setas dos mesmos visto que
à esquerda deverá figurar o diálogo da personagem da direita. Estes dois exemplos seguem a leitura da esquerda para a direita mas vejamos como se fará para os representar de cima para baixo.
O primeiro balão que deverá ser lido será sempre o que se encontra na parte superior da vinheta. Ilustração (C) não há hipótese de engano visto que estão na vertical, um sobre o outro,
falando primeiro a personagem da esquerda, mas os problemas aumentariam se falasse primeiro a personagem da direita, vejamos: ilustração (D), havendo espaço para fugir ao esquema B,
que estando correto não deverá ser muito empregue, a solução seria colocar os balões em diagonal, o balão colocado mais alto mesmo que esteja à direita da vinheta tem sempre a precedência
sobre o balão da esquerda, que se situa a um nível mais baixo.
Portanto, mais uma vez lhe repito que a ordem de leitura deverá seguir da esquerda para a direita e/ou de cima para baixo.
Cartelas são o espaço que contêm a voz do narrador; são, portanto, os textos narrativos. O formato da cartela é geralmente retangular e quando o texto é pequeno pode até não existir, ficando a narração sem o seu enquadramento, incorporando-se assim ao desenho. Os textos ou cartelas narrativas são geralmente aplicadas na parte superior esquerda da vinheta e, sendo a narração longa, podem prolongar-se de cima para baixo. Porquê à esquerda da vinheta? O texto narrativo é algo que diz respeito ao que ficou para trás, ou seja, descrevem alguma lacuna (texto narrativo de enlace) existente anterior à vinheta onde ela se incorpora; portanto, terá de ser lida antes dos balões e da visão do desenho. Se a ordem de leitura, assim como o percurso visual, seguem o seu caminho da esquerda para a direita è obvio que a cartela se coloque à esquerda pois entraremos nela primeiro que no desenho. Existem, porém, casos em que a cartela se situa à direita e mais propriamente na parte inferior. Estes casos são os menos existentes aparecendo somente quando o que se está a narrar seja referente ao futuro; portanto, que suceda depois da ação da vinheta onde ela se encontre, assim como no final da história.
As onomatopeias, como sabemos, são os sons mais ou menos fortes na BD e podem ser ou não representadas dentro de um balão.
O aspeto da onomatopeia é algo que deveremos cuidar, isto é, tentar imitar com o formato das letras o som que a onomatopeia produz.

As metáforas são utilizadas mais regularmente na BD cómica e consistem no desenho de vários objetos dentro de um balão para expressar a ira ou cólera de determinadas personagens; servem,
portanto, para suprimir palavras obscenas.
Outro tipo de metáforas são os pontos de exclamação e interrogação, os quais expressão a admiração, a indignação ou a surpresa de uma personagem.

Os signos cinéticos, a que também se chamam linhas cinéticas, são aquelas que nos sugerem o movimento.
Como pode ver, as linhas cinéticas acompanham o movimento de uma cabeça, um braço ou um veículo a grande velocidade e dão-nos a ilusão do movimento repentino, assim como o seu trajecto.

© Francisco Ibañez
Um bom ilustrador deverá saber legendar as suas histórias, embora esta não seja uma tarefa obrigatória pois, para o efeito, as editoras contam com profissionais que poderão resolver esse trabalho com grande mestria. Hoje em dia a banda desenhada muito raramente é uma história de autor, isto é, executada unicamente por uma só pessoa, pois na maioria dos casos as histórias são realizadas entre dois e mais artistas, há quem escreva o guião, quem desenhe a lápis as figuras e quem realize os fundos, quem passe a tinta e quem aplique a cor, além dos profissionais da impressão, cujos nomes nunca figuram na obra mas que sem eles os resultados nunca seriam os que conhecemos. Como vê, tal como o cinema também a BD começa a ser um trabalho coletivo e quanto mais gente nela trabalhar, melhor será o resultado final.
Mas voltemos à legendagem. Como fazer? Vou explicar um truque que utiliza José Ruy.
Depois da prancha estar desenhada a lápis, aplique sobre esta um papel transparente e estude aí onde colocar os diálogos. Trace com régua e esquadro as linhas horizontais para poder escrever. Escreva a lápis e depois passe a tinta. Pode passar a tinta com Rotring, aparo ou, melhor ainda, com um marcador de ponta fina. Aplique agora esse papel transparente sob a prancha e vendo-a à transparência, verá onde estão os textos que escreveu anteriormente, então desenhe na prancha os balões e cartelas que ficarão vazios. O papel transparente com os textos acompanharão as pranchas para a editora, temos então por um lado o trabalho de desenho e, pelo outro, os textos.
Mas, apesar de tudo, entrámos no séc. XXI, podemos adotar outros meios e temo-los à mão — o computador, que vem munido de um tipo de fonte que se chama “Comic Sans MS” este tipo de letra pode ser-nos muito útil para legendar nossas pranchas, basta escrever no computador, imprimir, recortar o texto e colar sobre a prancha.
Falando a verdade a inventiva dos artistas não tem nem pode ter limites, deveremos utilizar tudo o que esteja ao nosso alcance, só o resultado final interessa, pouco importa como será realizado.
Veja na figura abaixo o tipo de letra de que lhe falei anteriormente, ela é a utilizada na BD em todo o mundo, embora seja feita no computador, imita muito bem a caligrafia manual.
Mas também, tal como eu o fiz, pode criar a fonte com o seu próprio tipo de letra em formato .ttf ou .otf, instala-la no computador e escrever aí com a sua caligrafia pessoal. Certamente é única.

