Textos de Enlace

A função dos textos de enlace é a mesma das sequências e encadeados estudados em precedência, ou seja, o de enlaçar as distintas sequências e vinhetas evitando assim cortes bruscos na narração ao longo da história. Existem para o efeito 3 tipos de textos de enlace, que são: Textos narrativos, diálogos e onomatopeias de enlace. Vejamo-los.

Narração de Enlace

Pode dizer-se que quase todos os textos narrativos são textos de enlace pois a sua função é a de explicar por palavras as ações que não se vejam nas sequências. Vejamos o exemplo na figura seguinte de Jayme Cortez.
© Editorial Futura / Jayme Cortez

Como poderá ver na terceira vinheta esse texto narrativo enlaça esta ação com a anterior onde uma personagem morre nos braços de Pedro Seringueiro. Sem esse texto narrativo de enlace, essas ações dificilmente estariam ligadas, é como se fossem histórias independentes.

Diálogos de Enlace

Os diálogos de enlace também são muito úteis para enlaçar certas sequências causando também uma certa dose de suspense. Uma vinheta onde apareça um primeiro plano de uma personagem que grita CUIDADO!! Enlaça perfeitamente com uma próxima vinheta ou sequência que represente uma avalancha de neve. Além desse texto de enlace, que é o grito da personagem, enlaçar as duas sequências serve também para criar suspense e para fazer com que as duas vinhetas não possam existir separadas embora sejam ações diferentes. Os textos em Off dão-nos o mesmo resultado que os diálogos.
© Editorial Futura / Jesus Blasco

Onomatopeias de Enlace

Em relação a este ponto creio que pouco mais há a dizer. A figura seguinte mostra-nos bem como duas vinhetas ou ações podem ser enlaçadas através das onomatopeias de enlace.
© Le Lombard / Rosinski

Acabámos de ver os tipos de texto com que tem de contar o guionista. Da próxima vez que você ler uma história de banda desenhada veja as formas de enlaçar as sequências e as ações através dos textos e das sequências e encadeados; eles são verdadeiramente imprescindíveis pois fazem com que a história tenha a continuidade que se requer, sem fossos onde o leitor possa cair. A BD é uma arte, uma bonita arte que pouco a pouco nos vamos dando conta que sem algumas regras seria impossível fazer uma boa obra.

Temas de Interesse Para o Guionista

Para poder escrever um bom guião o guionista tem de estar preparado. Esta preparação consegue-se ao longo de anos de intenso trabalho de estudo e pesquisa. No fundo é um trabalho que pode divertir mas, seja como for, é um trabalho que deve ser feito sempre com a finalidade da busca e do estudo. Quando lemos um livro, vemos um filme ou viajamos podemos divertir-nos mas esse divertimento deve ser sempre acompanhado de um maior interesse em reter imagens, frases, situações, datas históricas e tudo aquilo que, mais tarde, possa vir a enriquecer os nossos guiões, tornando-os assim mais reais e interessantes, isto dá-nos uma boa dose de cultura geral, a matéria indispensável para qualquer guionista. Ao ver um filme não devemos somente viver a sua história para a poder entender, devemos, sim, ver como essa história foi escrita, as situações, as três partes fundamentais do guião que lhe falei anteriormente, os planos, as frases etc. Um erro comum do guionista inexperiente é iniciar o guião já dentro do drama da história. Nos filmes, por exemplo, pode aprender que o drama, a parte escaldante, o “desenvolvimento” do argumento se inicia um pouco antes do meio da história sendo o princípio dedicado inteiramente a apresentar personagens e situações aparentemente sem interesse mas que terão o seu papel fundamental do meio do filme em diante, não apenas inicie o drama no qual o guião criou as suas bases. Veja nas aventuras de 007 ou Indiana Jones aquilo que acabo de dizer: um início calmo que aumenta de intensidade à medida que o guião vai desenrolando.

Atenção, Muita Atenção

Nada deve ser copiado de um filme ou romance, velam por eles os direitos de autor, o famoso © Copyrigth. Se sentir a necessidade de adaptar à BD uma obra literária existente deverá pedir autorização ao detentor dos direitos ou mudar parte do argumento, as possíveis datas existentes na história, desde que não sejam históricas, e os nomes das personagens para que o seu autor, ou o seu atual proprietário, não lhe venha a cobrar pela violação de uma criação original. E com isto digo tudo!
Exatamente! Com isto digo tudo. Estamos no fim deste tratado e penso que nada mais há a dizer, só espero que tenha aprendido o bastante para encarar a Banda Desenhada ou como se chama por esse mundo fora: the Comic, i Fumetti, Manga, Tebeos, Quadrinhos ou les Bandes Dessinés... Enfim, a 9ª arte, uma arte jovem, embora tão velha quanto o homem, mas que ainda está em desenvolvimento. Agradeço ter chegado comigo a esta meta, agora só nos resta lutar para que a BD no nosso país alcance os níveis e as metas que conseguiu na América ou em países como França ou Bélgica.
Amigo, amiga, colega, até lá passe muito bem e... Bom trabalho.

Post scriptum) Mas antes de baixar o pano, antes de apagar as luzes, deixo esta prancha de Rosinski e o link para entrar num vídeo Youtube onde poderá ver, passo a passo, o trabalho de desenho e pintura desta mesma prancha. Repare também que a pintura é feita sem preocupação de passar das marcas porque foi aplicada um solução de borracha líquida nas partes que devem permanecer brancas, de seguida essa borracha é removida.

© Le Lombard / Rosinski